El Niño reforça a necessidade de preparar o SUS para os impactos dos eventos climáticos extremos

O avanço dos eventos climáticos extremos amplia os desafios para os sistemas de saúde. Diante das projeções para 2026 e 2027, o Ministério da Saúde anunciou medidas para fortalecer a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) aos impactos do El Niño e de outros eventos relacionados à crise climática.

Entre as iniciativas está a expansão da Força Nacional do SUS (FNSUS), com a criação de oito novas bases regionais. A proposta é aproximar as equipes dos territórios mais vulneráveis e permitir que elas cheguem a áreas afetadas em até 12 horas, iniciando ações de resposta de acordo com a gravidade dos desastres em até 72 horas.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a descentralização da estrutura amplia a capacidade de pronta resposta do sistema público. Durante o anúncio, ele destacou que o Ministério da Saúde considera a crise climática, antes de tudo, uma crise de saúde pública.

As novas bases serão implantadas até 2027 em Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e em outras localidades das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. As estruturas contarão com Equipes de Resposta Rápida, além de viaturas, comunicação via satélite, drones e equipamentos de reconhecimento para atuação em áreas de difícil acesso.

Informação e prevenção também fazem parte da resposta

Além da ampliação da Força Nacional do SUS, o Ministério da Saúde anunciou a criação dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC). As unidades serão instaladas em Belo Horizonte, Belém, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Santarém e no estado da Bahia.

Os centros reunirão especialistas de diferentes áreas, como epidemiologia, meteorologia, geografia e ciência de dados. A proposta é integrar informações climáticas, ambientais e de saúde para emitir alertas precoces e apoiar gestores públicos na tomada de decisões. O investimento previsto para os centros é de R$ 9 milhões.

Outra medida anunciada é o Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor e Equidade em Saúde. A ferramenta disponibiliza previsões diárias para os 5.570 municípios brasileiros, com até cinco dias de antecedência.

O sistema cruza informações meteorológicas e indicadores socioeconômicos para identificar populações mais vulneráveis ao calor extremo e apoiar a adoção de medidas preventivas.

Adaptação do sistema de saúde diante da crise climática

As ações anunciadas fazem parte do AdaptaSUS, plano nacional apresentado pelo governo durante a COP30 para fortalecer a adaptação do sistema de saúde às mudanças climáticas.

O programa reúne 27 metas e 93 ações previstas até 2035, com investimentos estimados em R$ 9,8 bilhões para a adaptação da infraestrutura do setor.

A preparação dos profissionais também está entre as medidas previstas. O Ministério da Saúde anunciou a seleção de 197 projetos do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) voltados ao enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas.

Com investimento de R$ 266 milhões e 12,6 mil bolsas, essa será a maior edição do programa. Entre os projetos selecionados, 39 serão desenvolvidos na Amazônia Legal.

El Niño pode ampliar os riscos em diferentes regiões do país

As projeções apresentadas pelo Ministério da Saúde para 2026 e 2027 indicam um cenário de maior risco de eventos climáticos extremos associados ao El Niño.

Na Amazônia Legal, estão previstos períodos de seca prolongada e maior risco de incêndios. No semiárido nordestino, o cenário aponta para estiagens severas. Já no Cerrado e no Pantanal, os principais riscos são o estresse térmico e as queimadas.

No Sudeste, a atenção está voltada para as ondas de calor. Na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a previsão é de maior risco de chuvas intensas, com possibilidade de inundações e deslizamentos.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde recomenda atenção redobrada durante períodos de calor extremo, especialmente para idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol e pessoas em situação de rua.

Entre as orientações estão reforçar a hidratação, evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h e utilizar proteção solar.

Preparar o SUS é também uma medida de proteção à saúde

A expansão da capacidade de resposta, a integração entre informações climáticas e de saúde e o investimento na adaptação da infraestrutura mostram a importância de preparar o sistema público para uma realidade de eventos extremos.

As medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde colocam a adaptação no centro da resposta aos impactos do clima e reforçam a necessidade de considerar os riscos climáticos no planejamento das políticas de saúde.