Médicos Pelo Clima - Imagem_Notícias_Rede Saúde e Clima Brasil é lançada na COP30 e reforça união entre ciência e saberes tradicionais pela justiça climática e em saúde_1

No dia 11 de novembro, em Belém, foi lançada oficialmente a Rede Saúde e Clima Brasil, uma articulação nacional inédita que une centros de pesquisa, instituições públicas, organizações da sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais em torno de um objetivo comum: enfrentar os impactos da crise climática sobre a saúde da população brasileira.

A Rede Saúde e Clima Brasil é uma ação conjunta da Fiocruz, Instituto Ar, Médicos pelo Clima e parceiros, criada para colocar a saúde no centro das decisões e prioridades políticas sobre o clima.

O lançamento marcou um momento histórico ao reunir diferentes setores comprometidos em reconhecer que a emergência climática é também uma crise de saúde pública, equidade e direitos humanos. Enchentes, secas prolongadas, queimadas e ondas de calor já afetam diretamente a vida e o bem-estar das pessoas, exigindo políticas públicas integradas e ações colaborativas.

A Rede nasce como uma comunidade de prática colaborativa, plural e nacional, que busca conectar o conhecimento científico aos saberes tradicionais e comunitários, fortalecendo soluções locais e políticas públicas com base na justiça climática e na saúde integral.

Entre seus compromissos estão:

  • Justiça climática: centralidade das populações mais impactadas na formulação de soluções.
  • Equidade em saúde: fortalecimento do SUS e eliminação das barreiras de acesso.
  • Intersetorialidade e cooperação: articulação entre atores, saberes e territórios.
  • Pluralidade epistêmica: integração entre ciência, conhecimentos tradicionais e comunitários.
  • Ética institucional: rejeição a vínculos com setores que atuam contra a saúde pública e a preservação ambiental.

O lançamento contou com a presença do secretário executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, e do secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba. O coordenador de Saúde e Ambiente da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), Guilherme Franco Netto, representou o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, no lançamento.

“Essa Rede é uma construção conjunta para transformamos os desafios que temos frente à emergência climática. Nosso compromisso é fortalecer a ação coletiva e a saúde no centro das decisões sobre o clima, pois sem saúde, não existe justiça climática”, afirmou Guilherme.

A Rede é formada por organizações fundadoras como o Instituto Ar, Médicos pelo Clima, Projeto Saúde e Alegria, Rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Projeto Hospitais Saudáveis, SAMA Health in Harmony, Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), Uma Concertação pela Amazônia, Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), Catalyst Now, ASEc+, Associação Beradeiro, Instituto Mamirauá, Drugs for Neglected Diseases initiative (DNDi) e Instituto Árvores Vivas, com o Médicos Sem Fronteiras – Brasil como membro-observador.

Mais do que uma articulação, a Rede Saúde e Clima Brasil se afirma como um espaço de construção coletiva, diálogo e ação política, dedicado à defesa da vida humana e não humana em um contexto de emergência climática.

Marcha Global Saúde e Clima leva 3 mil pessoas às ruas de Belém

O lançamento da Rede aconteceu no mesmo dia em que, ao fim da tarde, milhares de pessoas ocuparam as ruas da capital paraense durante a Marcha Global Saúde e Clima, um ato pacífico e inédito que reuniu cerca de 3 mil participantes entre profissionais da saúde, cientistas, autoridades e coletivos ambientais

A marcha foi organizada pelo Instituto Ar, Médicos pelo Clima e Rede GTA com apoio de diversas instituições nacionais e internacionais.

Com faixas, cartazes e um carro de som, os participantes levaram uma mensagem clara: “A crise climática é uma crise de saúde.”

“A mudança do clima é hoje uma crise de saúde. Os efeitos são enormes: adoecimentos, mortes e um custo imenso para os sistemas de saúde. O Brasil precisa sair da inércia e se preparar. Falta planejamento, faltam protocolos, faltam planos emergenciais para enfrentar desastres como enchentes, secas e queimadas. A saúde precisa estar no centro dessa resposta, porque os impactos atingem diretamente a vida das pessoas”, afirma Evangelina Araújo, médica e fundadora do Instituto Ar.

A Rede Saúde e Clima Brasil e a Marcha Global Saúde e Clima são uma demonstração de união e esperança: um chamado para que governos, sociedade civil e profissionais da saúde ajam juntos por um futuro saudável e justo para todos.

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