O avanço das mudanças climáticas já impacta diretamente o mundo do trabalho, na saúde física e na saúde mental de trabalhadores e trabalhadoras. Dados recentes mostram que o Brasil registrou mais de 540 mil afastamentos previdenciários por transtornos mentais e comportamentais em um único ano (2025), evidenciando a dimensão do problema.
Em um cenário de eventos extremos mais frequentes, como ondas de calor, enchentes e queimadas, cresce a preocupação com os efeitos emocionais e psicológicos associados às condições de trabalho.
Eventos climáticos e o impacto invisível no trabalho
Os efeitos das mudanças climáticas vão além do desconforto térmico ou dos riscos físicos imediatos. Para muitas pessoas, especialmente aquelas mais expostas, o impacto é também psicológico.
A convivência com eventos extremos e condições adversas pode gerar um ambiente constante de insegurança, afetando diretamente o bem-estar.
Entre os principais impactos observados estão:
- Ansiedade crônica, associada à instabilidade e à incerteza diante de eventos climáticos;
- Síndrome de burnout, agravada pela pressão por produtividade em cenários cada vez mais desafiadores;
- Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), especialmente em trabalhadores(as) expostos(as) a desastres ou perdas significativas.
Esses fatores evidenciam que a crise climática também é uma crise de saúde mental e precisa ser tratada como tal dentro das organizações.
Calor e sobrecarga emocional
As ondas de calor, cada vez mais intensas e frequentes, representam um dos principais fatores de risco no ambiente de trabalho. Além dos efeitos físicos, como desidratação e exaustão térmica, o calor também está associado ao aumento da irritabilidade, da fadiga e da dificuldade de concentração.
O estresse térmico cria um cenário de sobrecarga que afeta diretamente a saúde emocional de trabalhadores e trabalhadoras e aumenta o risco de acidentes.
A importância de integrar clima, saúde e trabalho
Diante desse cenário, especialistas destacam a necessidade de ampliar a forma como os riscos ocupacionais são avaliados. As mudanças climáticas precisam ser incorporadas como um fator estrutural na gestão de saúde e segurança no trabalho.
Isso inclui:
- Reconhecer o calor como risco ocupacional;
- Considerar impactos psicossociais nas avaliações de risco;
- Desenvolver estratégias de prevenção que incluam saúde física e mental;
- Promover ambientes de trabalho mais seguros, adaptados e sustentáveis.
Mais do que reagir a eventos extremos, é necessário antecipar riscos e estruturar respostas consistentes.
Um caminho prático para empresas: o guia sobre calor e saúde do trabalhador
Diante da intensificação desses desafios, o Instituto Ar, em parceria com a Associação Paulista de Medicina do Trabalho (APMT) e a iniciativa Médicos pelo Clima, desenvolveu o guia:
“Mudança do clima: calor e saúde do trabalhador – Guia prático para empresas”
O material foi elaborado para apoiar organizações na identificação, prevenção e gestão dos impactos do calor no ambiente de trabalho, com base em evidências científicas e recomendações práticas.
O guia aborda temas como:
- Reconhecimento do calor como risco ocupacional;
- Principais agravos à saúde relacionados ao calor;
- Grupos mais vulneráveis;
- Medidas preventivas e protocolos de atuação.
Ao integrar conhecimento técnico e aplicação prática, o guia contribui para que empresas avancem na adaptação climática e na proteção da saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras.
O guia “Mudança do clima: calor e saúde do trabalhador – Guia prático para empresas” já está disponível!